Irã em ebulição: protestos expõem crise e endurecimento policial
O início de 2026 trouxe ao Irã uma onda de manifestações que revelam não apenas a fragilidade econômica do país, mas também o endurecimento da resposta oficial. A polícia afirma compreender as demandas da população, mas promete reprimir qualquer sinal de “caos”.
O estopim da revolta
A alta dos preços de alimentos e combustíveis, somada à desvalorização do rial, levou milhares às ruas. Comerciantes fecharam seus bazares, estudantes organizaram marchas e trabalhadores denunciaram salários insuficientes. O cenário lembra capítulos anteriores da história iraniana, quando crises econômicas se transformaram em protestos de massa.
“Não é apenas sobre dinheiro. É sobre dignidade e sobrevivência”, disse um estudante universitário.
Imagens de um país em tensão
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram barricadas improvisadas, carros incendiados e confrontos em frente a delegacias. Em cidades como Azna e Lordegan, relatos de tiros ecoaram durante a madrugada. A atmosfera é de medo e resistência.
“As ruas estão cheias de fumaça e gritos. É impossível não sentir que estamos em guerra contra o próprio governo”, relatou uma moradora.
A voz das autoridades
Em coletiva, a polícia declarou que entende as reivindicações econômicas, mas não permitirá que os protestos se transformem em desordem. O Parlamento foi além: líderes políticos afirmaram que qualquer intervenção externa, especialmente dos Estados Unidos, seria respondida com força.
“A ordem pública será mantida. Não toleraremos vandalismo nem ingerência estrangeira”, afirmou um porta-voz da corporação.
O olhar do mundo
O presidente dos EUA alertou que Washington poderia agir caso o Irã utilizasse violência contra manifestantes. A União Europeia pediu moderação e respeito aos direitos humanos. Organizações internacionais, como a Human Rights Watch e a Amnesty International, denunciaram o risco de repressão em larga escala.
“A comunidade internacional observa com preocupação. A proteção de civis deve ser prioridade”, declarou uma autoridade europeia.
O impacto na vida cotidiana
Para além das declarações oficiais, a realidade das famílias iranianas é marcada por dilemas diários. O preço de alimentos básicos dobrou em poucos meses, e muitos relatam que precisam escolher entre comprar gás ou comida. Estudantes afirmam que não veem futuro no mercado de trabalho.
“A cesta básica já não cabe no salário. Estamos escolhendo entre gás e comida”, contou uma mãe de família.
Memória e paralelos históricos
Os atuais protestos evocam lembranças de 2019, quando o aumento da gasolina gerou uma onda de manifestações violentamente reprimidas, e de 2022, quando a morte de Mahsa Amini se tornou símbolo da luta por direitos das mulheres. Analistas afirmam que o movimento de 2026 combina insatisfação econômica e contestação política, colocando em xeque a legitimidade do regime.
“Sem reformas e diálogo, a legitimidade do Estado se fragiliza. O custo de ignorar a crise social é sempre maior”, avaliou um especialista ouvido pela imprensa internacional.
Conclusão
O Irã vive um momento de ebulição. De um lado, cidadãos que exigem dignidade e sobrevivência; de outro, autoridades que prometem reprimir qualquer sinal de desordem. Entre ambos, o olhar atento da comunidade internacional. O desfecho ainda é incerto, mas o país já entrou para mais um capítulo de sua história marcada por protestos e resistência.










