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Especialistas alertam para risco em bancos médios e digitais após caso Banco Master

Especialistas alertam para risco em bancos médios e digitais após caso Banco Master

São Paulo — A liquidação extrajudicial do Banco Master acendeu um sinal de alerta no mercado financeiro brasileiro. Embora o Banco Central afirme que o episódio não configura risco sistêmico, economistas e analistas de mercado apontam que outras instituições financeiras de pequeno e médio porte apresentam vulnerabilidades semelhantes, especialmente em cenários de estresse econômico.

O efeito Banco Master e o risco de contágio pontual

O Banco Master foi apenas o primeiro caso de maior repercussão em 2026, mas especialistas afirmam que o problema não é isolado. Bancos com baixa capitalização, alta alavancagem e dependência de captação agressiva tendem a ser mais frágeis quando o crédito aperta e a inadimplência cresce.

Segundo analistas, não se trata de uma crise generalizada, mas de um risco concentrado em instituições específicas.

“O sistema bancário brasileiro é sólido, mas bancos médios e pequenos são mais sensíveis a choques de liquidez e deterioração do crédito, especialmente aqueles que oferecem retornos muito acima do mercado.”

— Economista e ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman

Bancos que o mercado observa com mais atenção

Não existe uma lista oficial de bancos prestes a quebrar. No entanto, com base em relatórios de mercado, indicadores de solvência, concentração de crédito e perfil de captação, especialistas apontam instituições que exigem maior cautela por parte do investidor.

Tabela comparativa de risco bancário (visão de mercado)

Banco / Instituição Perfil Principais fatores de risco Nível de risco (mercado)
Banco Master / Will Financeira Banco médio Insolvência, falhas de governança, descumprimento de obrigações Muito alto (liquidado)
BRB (Banco de Brasília) Banco estatal regional Exposição financeira e jurídica ao caso Master Alto
Banco Pan Banco médio Alta concentração em crédito ao consumidor e financiamento de risco Médio-alto
Banco BMG Banco médio Exposição ao crédito consignado e crédito pessoal Moderado
Banco Sofisa Banco médio Modelo baseado em CDBs de alta remuneração Moderado
Banco Cora Banco digital (PMEs) Menor capitalização e histórico operacional recente Médio-alto
Bancos digitais menores Fintechs financeiras Baixa escala, dependência de captação e menor liquidez própria Médio a alto
Grandes bancos tradicionais Itaú, Bradesco, BB, Caixa, Santander Alta diversificação e capital robusto Baixo

Por que bancos médios e digitais apresentam mais risco?

Economistas explicam que instituições menores tendem a:

  • Ter menor índice de capital (Basileia);
  • Depender mais de captação de curto prazo;
  • Conceder crédito com maior risco para crescer rapidamente;
  • Oferecer rentabilidade elevada para atrair investidores.

“Quando um banco precisa pagar muito para captar recursos, isso geralmente indica maior risco. Rentabilidade alta quase sempre vem acompanhada de risco elevado.”

— Felipe Salto, economista-chefe e ex-diretor da IFI

Especialistas descartam crise sistêmica, mas pedem cautela

O consenso entre analistas é que o Brasil não vive uma crise bancária ampla. Os grandes bancos permanecem sólidos e bem capitalizados. No entanto, o investidor pessoa física precisa estar atento à concentração de recursos.

“O maior erro do investidor é confundir cobertura do FGC com ausência de risco. O FGC protege até certo limite, mas não elimina transtornos e atrasos.”

— Ana Paula Vescovi, economista e ex-secretária do Tesouro Nacional

Como o investidor pode se proteger

Especialistas recomendam medidas simples e eficazes:

  • Aplicar no máximo R$ 250 mil por instituição financeira;
  • Diversificar investimentos entre bancos diferentes;
  • Evitar produtos com retorno muito acima da média;
  • Priorizar instituições com histórico sólido e transparência.

Conclusão

O caso Banco Master expôs fragilidades que já existiam no mercado. Embora não represente uma ameaça ao sistema financeiro como um todo, o episódio reforça a importância de análise de risco, diversificação e cautela por parte dos investidores.

Em tempos de juros elevados, entender quem paga mais — e por quê — pode ser a diferença entre proteger ou comprometer o patrimônio.

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